Emergência abdominal · Básico

Dor abdominal migratória em jovem

Homem jovem com dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, febre baixa e leucocitose.

Etapa 1 de 5 — Apresentação

Identificação

23 anos, Masculino — Pronto-socorro, Belém-PA

Queixa principal: Dor abdominal há cerca de 26 horas.

História da doença atual

Paciente refere início insidioso de dor abdominal há aproximadamente 26 horas, inicialmente de localização periumbilical, em cólica, de intensidade moderada (6/10), sem irradiação, sem fatores de melhora claros. Relata que nas últimas 10 horas a dor migrou para a região inferior direita do abdome, tornando-se contínua, em pontada, com piora importante à deambulação e ao movimentar-se no leito.

Associadamente, apresentou dois episódios de vômito alimentar após o início do quadro, anorexia marcada (não se alimenta desde a noite anterior) e sensação febril não termometrada em domicílio. Nega diarreia, disúria, polaciúria, hematúria ou alteração do hábito intestinal. Última evacuação há 18 horas, de aspecto habitual. Nega trauma abdominal recente, uso de anti-inflamatórios ou episódios semelhantes prévios.

Antecedentes

  • Hígido, sem comorbidades conhecidas
  • Nega cirurgias abdominais prévias
  • Nega alergias medicamentosas
  • Tabagista social, nega etilismo pesado e uso de drogas ilícitas
  • Histórico familiar sem particularidades relevantes

Medicações em uso

  • Dipirona 1 g, dose única, há 8 horas (alívio parcial e transitório)

Sinais vitais

PA
124 × 78 mmHg
FC
98 bpm
FR
18 irpm
Temperatura axilar
37,9 °C
SatO₂
98% em ar ambiente

Exame físico e exames iniciais

  • Estado geral regular, consciente, orientado, hidratado, anictérico, acianótico, fácies de dor.
  • Abdome plano, ruídos hidroaéreos diminuídos, flácido nos demais quadrantes.
  • Dor intensa à palpação profunda da fossa ilíaca direita, com defesa voluntária localizada e descompressão brusca dolorosa (Blumberg positivo).
  • Sinal de Rovsing positivo; sinal do psoas discretamente positivo. Giordano negativo bilateralmente.
  • Toque retal com dor à palpação da parede lateral direita, sem massas.
  • Laboratório inicial: leucócitos 15.400/mm³ com 82% de neutrófilos e desvio à esquerda; PCR 78 mg/L; urina tipo I sem alterações significativas.